CHEILA PEÇAS

ARTIST


BIOGRAFIa

Cheila Peças nascida em 1990 reside em Portugal. Com um percurso académico multidisciplinar é bolseira da FCT, sendo Doutoranda em Belas-Artes da FBAUL.
Pós graduada em Curadoria de Arte pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa, Mestre em Pintura pela FBAUL, Mestre em Educação Especial pela ESECS do Instituto Politécnico de Leiria, Mestre em Ensino de Artes Visuais pela Universidade de Évora, sendo licenciada em Artes Plásticas pela ESAD CR, do Instituto Politécnico de Leiria.

Autorretrato do Interior

_ _ _ Invaginação _ _ _
_ _ _ de dentro para fora _ _ _


A obra é caracterizada por uma subjetividade intrínseca focada no autorretrato, a artista descobre os outros que existem em si através da criação de metáforas...

Envolvida por questões psicológicas direcionadas para questões de identidade, a pintura é formada a partir de eventos e experiências ao longo da sua conceção; esta surge de forma espontânea demonstrando a temporalidade que as constituiu através das diversas técnicas utilizadas no mesmo espaço, revelando o interior pessoal da artista e a criação de um novo ser que surge da junção de personalidades do seu interior.


"Cogumelo Divino" (Divine Mushroom ), 2018. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 250/250 cm


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Os Filhos

Húmidos e salgados os beijos que te dou com a ponta do meu dedo pincel.

Hifas unidas, tesouros feitos e outros descobertos, construção e nascimento.

Surgem unos os filhos de uma vida ou duas com pluriexperiências do acaso, de outrem, de outra coisa.

Eu sou duas partes, procuro. As hifas vagueiam em minha busca por mim, suavemente percorrem o espaço, alimentando-se, procriando, duplicando a diversidade do meu íntimo, envolvendo as cores e os fluidos eretos, crescendo ou erradicando-se, sobrepondo-se ao pensamento, emanando-se de ruídos do silêncio, da solidão, de prazer e sedução. Afastando-se da realidade. Criando outra…


"Os filhos", 2022. Acrílico sobre tela, 100/100 cm


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Procura-se a essência da criação artística enaltecendo a natureza em constante renascer. Da união do inconsciente com a intemporalidade estética de um fragmento de paisagem fertiliza-se a criatividade, confirmando a minha existência.

"Torrão de Abadessa", 2021. Óleo sobre tela, 100x150cm.

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"Hifas"(hyphae), 2021. Instalação com tecido, tinta acrílica, sisal e farinha (Installation with tissue, acrylic paint, sisal and flour).

"Vergonha" (Shame), 2021. Instalação com manequim, madeira, sisal, ráfia, cartão, espuma poliuretano, tinta acrílica, cola, vidro e farinha (Installation with mannequin, wood, sisal, raffia, cardboard, polyurethane foam, acrylic paint, glue, glass and flour).

"Aceitação" (Acceptance), 2021. Instalação com tripas orgânicas, tinta acrílica e farinha (Installation with organic guts, acrylic paint and flour).

"O cor-de-rosa feminino?" (The feminine pink?). Instalação com manequim, arame, pano cru, tinta acrílica e farinha (Installation with mannequin, wire, raw cloth, acrylic paint and flour).

Fecundo-me a mim mesma

O Meu Nome É Do Que Me Pinto …

Pinto partes de mim, envolvo-as com a tua exigência em mim, sou parte de ti. Assombras-me com lágrimas reboladas do passado, que voltam a cair por sentir falta da alegria que se fazia surgir.

Agora cansada de transbordadas memórias que fecham as portas a novas insistências.

Já não cheiro o rosa, o amarelo, o verde e o azul da casa pequenina que imaginava num quadro banhado de verniz nas flores e folhas costuradas à mão. Falta-me a imaginação … de quando havia uma dúvida sobre a brincadeira que me saciava num momento.

Emaranhada de rosas cortantes, laranjas azuis, água salobra e cheiro a mar incapaz de dissolver o azul do sol. Cortar os pulsos moles corretamente, tecer uma teia de leite vermelho e consumir-te mesmo sem querer. Fazes parte de mim.

Sugo-te o conhecimento raivoso, impaciente. Questiono-me quem sou. Que parte de mim sou? Quando eu sou? Quando tu és?

Vagueando entre raízes duras que me sugam a inocência, agradeço as palavras que lhes saem entornadas.

Sou uma tela como todas as outras, o ar continua a derreter os passos que dou e faz-me inspirá-los para dentro do meu ser.

Escuto os pelos arrepiados pelos sons que já não podem ouvir da mesma forma que antes. Tomo a decisão e uso-os como pincel, são agora o meu instrumento invisível.

Marco-me com manchas e relevos onde cada obra nunca atinge o seu fim, contornando cada espaço, o meu e o teu. Se deixar de aparecer será a sua morte, a minha morte, pois há muito que somos a mesma carne. Unidas para que melhor dormíssemos sobre o mesmo leito, atenuando as fraquezas de ambas com lógicas e fantasias. Somos um corpo tinta, flexível e instável, balanceando, degradando-se, afastando-se e fazendo as pazes novamente, estando sempre presente um reinício, um início marcando um clímax.


"Autumnus cucumellu" , 2020 . Óleo sobre tela (Oil on canvas), 150/100 cm


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"De chuchu faço pé, de pé faço ovo, de ovo faço barriga" (From chayote I make feet , from feet I make egg , from egg I make belly), 2020. Óleo sobre tela. (Oil on canvas), 150/100 cm

"Clathrus ruber", 2020. Óleo sobre tela (Oil on canvas), 120/90 cm

                                                     


"Dos beijos que te dou" (The kisses I give you ), 2019. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 190/190 cm


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"Do teu leite transparente e cheio de purpurinas, amargo e saciante" (From your transparent and glittery milk, bitter and satiating ), 2019. Óleo sobre tela. (Oil on canvas ), 190/250 cm


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Existe na obra algo que entra e sai de si, um ser que se vira do avesso, em constante construção, fazendo surgir um novo eu que a ela já pertencia.

A obra representa um nascimento de uma identidade, originária do ventre da consciência, daquilo que se descobre ao longo da vida um novo ser que é parte da artista, surgindo da separação de entidades próprias para o seu entendimento sobre si uma obra real no seu mundo, um autorretrato de uma experiência que se fragmenta em cada pintura.

_ o meu nome é do que me pinto _


"Invaginação" (Invagination ), 2017. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 175/175cm


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"Micélio" (Mycelium 2019. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 160/160 cm

"Cálice de dedicação" (Chalice of dedication ), 2019. Óleo sobre tela ( Oilon canvas ), 160/160 cm



"Apneia", 2019. Óleo sobre tela, 160x160cm


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"Do meu leito e do outro" (My and the other's bed ), 2019. Óleo sobre tela ( Oil on canvas), 140/200 cm


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Sou um Renascimento por Invaginação

"Da invaginação que te forma. Olhas-me para ti.

Com os teus cabelos e a humidade do outro cheirando o suor da mãe cansada com os olhos pruridos, saem das mãos a resistência, a enfermidade e a coragem.

Gritos de prazer e raiva são dele, que me fazem histérica de necessidade de si.

Testosterona e morfina apagam o ridículo, pigmentos de maça e cereja.

Vigiam-se, cuidam-me e massacram-me formando-se um comigo numa respiração ofegante.

Paro de respirar, sangram-me os ouvidos, gestos ansiosos riscam uma parede pálida e intocável. Anseio-te. Desejo em mim. És um, estando só. Renasce em mim. Estando presente mesmo sem te ver. Procuro e encontro o que sou de ti, dos outros.

Ainda oculto nos meus olhos fazias-te já surgir nas minhas mãos."


"No colo do desconhecido" (In the lap of the unknown ), 2019. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 200/140 cm


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Cores, Formas, Seres, Opostos Que Me Revelam

"De metáforas me consumo. De perna faço pénis, de pénis faço cogumelo, de cogumelo faço ovo, de ovo faço barriga, de barriga faço vagina.

Pinto a partir das formas, desenho depois das manchas, ilustro consoante os opostos, narro conforme o ser.

Desenvolvo-me em sequência, num ciclo viciado por novos inícios fazendo da vagina uma passagem para uma perna.

Fecundo-me a mim mesma, nascendo, e engulo-me de novo.

Passar por vários corpos…

Pensando que ainda sou um cogumelo…

Voltando a mim…

Saindo… querendo sair…

Tanto sou um parasita como um sapróbio."



"Memorial", 2018. Óleo sobre tela ( Oil on canvas ), 250/250 cm


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